Dia 6 – La Ville-Lumière (Paris)

Boa noite meninas!

E adiantamos o relógio mais uma hora. Enquanto degusto um dos melhores cachorros-quentes da minha vida, vou fazendo o post de hoje, que não tem muitas fotos, mas tem bastantes coisas pra dizer.

Hoje acordei na hora em que Gabi estava saindo. Ela ia lá na Hamley’s Toys para comprar uns esquilos de brinquedo (família Sullivan) que ela queria muito. Enquanto ela ia lá comprar, eu levantei e fui arrumar as malas. Estava mega preocupada com a passagem pela segurança do trem que nos traria a Paris. Escondi cada esmaltinho de forma que ficassem espalhados nas malas e não me trouxessem (muitos) problemas. Outra coisa que me preocupava era o “Gelol” que Gabi comprou pra passar nas costas. Aquele que a atacou de alergia. O remédio é em spray, e no rótulo se lê ALTAMENTE INFLAMÁVEL. Mas eu não podia jogar fora. Seria desperdício demais. Então, resolvi arriscar e colocar na mala. Se me parassem por causa dele, paciência.

Tomei um banho e enquanto esperava a bateria extra do meu telefone carregar, terminei de arrumar as coisas. Quando Gabi chegou com os tão sonhados esquilos (encheu o saco desde o braseeel pra comprar) passava das 11, e teríamos que sair do hotel às 12.

Quando era quase meio-dia, saímos do quarto, levamos as malas para a recepção e esperamos nosso taxi para nos levar para a estação Saint Pancras, que é a que tem a linha da Eurostar, o trem que faz o trecho Londres x Paris.

Logo o taxi chegou, e dentro de uns 15 minutos, chegávamos à estação. O preço foi 18 libras, mas achei melhor pagar do que correr o risco de pegar uma estação “cabeluda”, com trocentos degraus, carregando as malas, que estavam mais pesadas do que quando chegamos.

Descemos, e como tínhamos 3 horas até iniciar o check-in, Gabi resolveu ir a Camden Town de novo para comprar umas latas vintage (com estampa antiga) que tinha visto e não comprou, quando fomos outro dia. Como Camden Town fica a duas estações de Saint Pancras, e sem trocar de linha, seria mole. Até eu, se pudesse, teria ido também, mas não tinha onde deixar as malas, então fiquei por ali mesmo, esperando por ela. Quer dizer, ter até tinha (onde deixar as malas). Na estação tem um lugar lá que vc paga para guardar as malas por um determinado tempo. Mas eu achei melhor não ir, de qualquer forma, até porque a fila para esse serviço de guardar mala dava volta no quarteirão (nem sei quanto custa, também). 

Mas antes da Gabi sair, ela ficou com as malas e eu fui pegar informação sobre o que eu deveria fazer, pois eu tinha levado os bilhetes impressos na impressora de casa, e não sabia se teria que trocar por algum bilhete “oficial”. Eu também não via no meu bilhete indicação de plataformas, já que eu tinha visto tantas indicações de direção de plataformas (será de trens comuns, e não o internacional?). No meu bilhete só dizia Coach 2 (trem 2) e o número do assento. A informação que tive é que eu usaria meu próprio bilhete impresso para passar, meia hora antes do horário de saída do trem, e que teria que passar pela catraca do trem 2, para então passar pela segurança e depois carimbar a saída da Inglaterra no passaporte. Então, voltei para onde Gabi estava com as malas, para ela poder ir embora.

Fiquei lá com as três malas, em pé, porque a estação estava parecendo até a Imigração do Heathrow, de tanta gente. Fiquei em pé uns 35 minutos, até finalmente saírem do banco, onde sentei para esperar. Liguei, então, para Gabi, para saber onde ela estava, e me disse que estava indo a Kings Cross para tirar uma foto da estação 9 3/4 (estação de trem secreta, do Harry Potter).

plataforma

Uns 30 minutos depois ela chegava, e ficou sentada no meu lugar no banco enquanto eu ia ao banheiro e pegar um café na Starbucks. Voltando com dois sanduíches, dois Caramel Machiatos e dois muffins de blueberry, dividimos o lugar no banco (meia bunda pra cada uma) e comemos ali mesmo, rodeadas pelas 3 malas. Estava uma verdadeira briga de foice pra conseguir banco ali, putsgrila.

Quando deu 15:15 eu resolvi ir lá para onde a mulher me disse que eu teria que passar. Nosso trem sairia às 16:22, e a fila para entrar pra segurança estava gigantesca, e a catraca não tinha sido aberta ainda pro pessoal passar. Passou de 16:22 e nada de abrirem a catraca. Todos os trens estavam atrasados, e o nosso atrasou muito também. Quando deu umas 17 horas finalmente abriram a catraca e a manada passou. Eu, com medinho dos esmaltes, agi como se não fosse comigo. Coloquei minhas malas nas esteiras e para minha surpresa, passou tudo lindamente pelo raio-x sem ninguém implicar com o “Gelol” ou os esmaltes. A partir daquele momento, fiquei super aliviada.

Entramos em um saguão, onde muitas dezenas de pessoas se amontoavam. Chegava até estar calor, com tanta gente. Meus pés suavam horrores, e meu são chinelinho (o que sempre levo nas viagens, que tem forro de tecido tipo camurça) fazia o pé ficar tão quente que a vontade era ficar descalça no chão. E eis que Gabi descrobre que a saída do ar condicionado no saguão era no chão. Não pestanejei; tirei o chinelo e fiquei em cima da boca do ar, hahahha. Cheguei até a ficar com frio. Os pés de baixo são da Gabi.

pes

O trem, que deveria ter saído às 16:20, saiu uma hora depois. A nossa sorte é que nós estávamos bem na frente da esteira que levaria à plataforama do trem (havia 6 esteiras em locais diferentes no saguão), de forma que fomos as primeiras a entrarmos no trem.

Deixamos as malas no lugar reservado para elas e sentamos. Dentro de 10 minutos partimos. Aproveitei minha internet até o último minutinho, hehehe.

O Eurostar, que é o trem que vai  de Londres a Paris, passa por baixo do Canal da Mancha (Oceano Atlântico), que fica entre a Inglaterra e a França. A viagem dura 3 horas, e se você se distrair com alguma coisa, nem vai lembrar que existe uma imensa massa de água acima de você, pois parece que estamos passando por um túnel comum.

Coloquei meus fones nos ouvidos e coloquei BJ Thomas para ouvir. E quando finalmente saímos do túnel, por volta das 19 horas, avistamos aquela linda região rural, com gigantescos retângulos cor de palha e verde, que penso ser plantação de feno para gado, pois em alguns locais vi rolos da “palha” amontoados no terreno perto de tratores. As casinhas eram bem estilo cottage, e dava até vontade de ficar em numa. E mais adiante, começaram os cataventos eólicos, e o sol já começava a se pôr, deixando o céu alaranjado por sobre as nuvens acinzentadas. E quando olhei adiante, fiquei encantada com um balão que vi ao longe. Não é balão de festa junina, mas daqueles balões que levam pessoas.

De repente vi meus olhos se encherem de lágrimas e comecei a sorrir como uma boba. Fiquei emocionada por ter o privilégio de estar ali contemplando aquela visão deslumbrante da natureza que jamais cego algum teria. De todas as três deficiências (cego, surdo e mudo), a cegueira é a mais avassaladora e penalizante, pois os olhos têm o poder de nos trazer emoções inexplicáveis, e todos os cegos são tolhidos dessas inebriantes emoções.

Comecei a rir também porque lembrei daquela louca que recentemente andou me perseguindo por e-mail, lembram? Ri porque uma das coisas que ela escreveu, com o vão intuito de me atingir, foi que “o meu dinheiro não me trazia felicidade, e que eu sou uma pessoa frustrada“, huauhahuauhahuauhuah. Ela divagou legal! Ela não tem a mínima ideia dos prazeres que o meu dinheiro me traz. Penso que ele me traz prazeres que homem nenhum conseguiria me dar, hoje. Ele me faz uma pessoa mega feliz, juntamente com a minha filha. Não sou uma pessoa rica, mas eu trabalho muito duro, somente para comprar e fazer as coisas que gosto (basicamente, viajar), e isso é mais que perfeito, já que eu não pago aluguel. Quero, por exemplo, ter o prazer de entrar na Louis Vuitton aqui e comprar a bolsa que tanto quero, já que gosto tanto da que tenho, que comprei em Santa Mônica em 2011, e quero uma cor diferente, do mesmo modelo. Como já disse várias vezes aqui, pra mim não tem coisa pior do que viajar contando tostões. A única coisa que faço é economizar numas coisas pra gastar mais em outras. E foi exatamente isso que aconteceu hoje. (vou continuar narrando a viagem).

Toda aquela visão linda, associada à linda música que tocava nos meus ouvidos, realmente me emocionaram bastante, e assim que escureceu, chegamos à Gare du Nord em Paris. Pegamos nossas malas e seguimos para a saída, sendo que no meio do caminho a rodinha assassina quase arrancou meu dedinho de novo (to ferrada!). Fomos tentar pegar um taxi, mas o raio do indiano queria 40 euros pra nos levar da estação ao hotel. Como já era quase 11 da noite (aqui é uma hora a mais em relação a Londres), fiquei com medinho de pegar metrô, mas meti os peitos. Vi que a fila de turistas estava imensa para comprar os bilhetes do metrô, e pensei que não poderia ser tão arriscado assim, afinal de contas, tinha muita gente na mesma situação que nós.

Gabi tinha saído pra procurar informação sobre o passe semanal do metrô, enquanto eu ficava esperando a minha vez de comprar o bilhete. Quando ela voltou do outro lado, disse que as máquinas de tickets de lá estavam todas vazias, e que só podia comprar nas máquinas com dinheiro certo ou cartão de crédito. Dei meu cartão pra ela, e 10 minutos depois ela voltou com os bilhetes, e eu só tinha andado 5 metros na fila gigante. E começou a nossa aventura com as malas dentro do metrô.

A nossa sorte é que os lances de escada no metrô de Paris são mais modestos que nos de Londres, e também que tinha gente educada que se ofereceu para ajudar a subir com as malas. Demoramos um pouco pra nos locomover, porque não foi em toda escada que apareceram cavalheiros, mas fato é que gastamos somente 3,40 (1,70 cada bilhete) para chegarmos ao hotel, contra os 40 euros que o taxista queria nos cobrar, ou seja, já posso usar os outros 36,60 na compra da minha LV, hhahahahahaha.

Pegamos a linha 4 (roxa) em direção à estação Raspail, e lá trocamos para a linha 6 (verde-claro), em direção a Edgar Quinet, que fica a 50 metros do hotel.

O metrô de Paris é muito semelhante ao de Londres, com a vantagem de que para trocar de linha não temos que dar a volta ao mundo como fazemos em Londres. Gabi até se espantou, e achou fácil demais. Fiquei com medo de sair na estação e dar de cara com ruas desertas e escuras, mas o que encontramos foi justo o oposto.

A estação Edgar Quinet fica em Montparnasse numa área bastante movimentada e cheia de restaurantes e cafés. Saímos e vimos bastantes luzes neon e movimento, e não tivemos medo de seguir a pé até o hotel, que encontramos rapidinho.

Fizemos o check-in e subimos. O quarto é pelo menos metade a mais que o outro, e o banheiro é um banheiro decente. Assim como o outro não tem luxo nenhum, mas da sacada do nosso quarto pude ver que tem bastantes coisas legais nos arredores, e uma brasserie (padaria)/café bem do ladinho. É melhor que o de Londres em termos de tomadas elétricas, mas ainda assim carece de uns pontos a mais. Está sendo um parto para carregar tudo o que temos (telefone, baterias extras, notebook, câmera).

Estava doida pra usar o banheiro e tomar um banho, e Gabi, roxa de fome, desceu pra comer algo. Eis que de repente ela me surge com dois cachorros-quentes MAGNÍFICOS!

cachorro

Esse cachorro quente é um dos melhores que já comi, se não for o melhor. A baguete tem casquinha mega crocante, como a de um pão italiano, e estava super quente, com o queijo gratinado e derretido por cima, surtante. Tinha uns 30 cm de pão com duas salsichas brancas dentro. Alucinante, gentem! Gabi pagou 15 euros pelos dois. Comi de “jiboiar”. Agora vou terminar o post e mimir, porque amanhã começa a nossa aventura en France!

Bonne nuit pour tout mes amies. Au revoir!

Bisus!

Adri 😀

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Sobre Adri Portas

Tradutora, Blogueira e Filósofa (da vida)
Esta entrada foi publicada em Viagem. ligação permanente.

10 respostas a Dia 6 – La Ville-Lumière (Paris)

  1. pikrodafni diz:

    Brasserie nao é padaria – é um tipo de restaurante!

  2. jubaoli23 diz:

    o lanche parece ótimo 🙂
    fiquei maravilhada, imaginando a visão que você teve saindo do túnel, Adri.
    Felizmente você trabalha bastante e pode usufruir dos frutos do seu trabalho… então, o melhor mesmo é ignorar esse tipo de pessoa.

    bjo grande 🙂

  3. “meia bunda pra cada uma” kkkkkkkkkkkkkkkk Adri, vc é uma figura!

  4. daisygaray diz:

    Delicia esse cachorro quente! Só a foto dá ideia da gostosura dele, e atiça até a quarta geração das lombrigas! Sempre quis viajar no Eurostar, esquecer que existe céu…e tu ainda me fala em BJ Thomas! huahuahuha A viagem está uma beleza, estou amando!
    Beijos

    • Puts tava uma delícia! Vou tentar fazer igual em casa, mas sei que vou passar longe.
      Obrigada por acompanhar-me como sempre, e desculpe se não pude responder a todos os comentários. Falta de tempo, mas li todos!
      Bjus amore
      Adri

  5. Liliane Franco diz:

    Oi, Adri, estou amando sua viagem. Faz tempo que não escrevo, né… Estou super ansiosa com a prova do concurso que vou fazer e a leitura dos seus posts tem sido meus momentos de lazer e distração. E vcs foram viajar numa época ótima. Essa copa no Braseeel está um saco… Só se fala em futebol, como se todos os problemas tivessem deixado de existir… Beijos p/ vc e p/ sua filhota!

Obrigada pela visita e pelo seu comentário!!! <3

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