Chile dia 1

Aff! Saímos hoje às 4:40 da matina pro aeroporto. Chegamos em cima do laço. Demos tanta sorte que os carinhas da TAM estavam distraídos e nos deixaram passar mesmo já tendo fechado o check in. Se isso não tivesse acontecido, teríamos perdido o voo e eu me matado!
Ser pobre é uma desgraça! Viemos eu e meu marido, que não somos nada magrinhos, no meio da fileira do meio do avião, ou seja, ficamos espremidos naquela poltronícula durante quatro horrendas horas, entre duas pessoas. Vocês acreditam que enquanto eu cochilava (já que só dormi 4 horas) eu acabei sonhando que dava uma pane no avião e ele começava a cair e todo mundo gritando de desespero? Olhem o meu drama! A única coisa que consegui pensar, no sonho, na hora em que o avião caía e eu ouvia um alarme e a gritaria, era como a minha Mary iria ficar sem mim. Por sorte eu acordei no meio do meu apelo Celestial (enquanto eu rezava), onde eu pedia pra Deus salvar a todos, rsrsrsrs agora já sei qual é a sensação que o pessoal do voo 747 teve (que Deus os tenha). E agradeço porque Ele foi justo e salvou a todos no meu voo, me acordando… Afff!
Qdo chegamos aqui, finalmente, pegamos uma fila monstruosa na imigração. Acho que todos os brasileiros resolveram vir pro Chile pegar o restinho de frio maravilhoso que está aqui: 15 graus. Pegamos um taxi e viemos pro ape em que Dory ficou. A localização é, sem dúvida, estratégica, mas não sei se eu dei azar, porque me colocaram num ape super devassado. A janela do box é comprida verticalmente e posicionada em um nível baixo. Ou seja, pra entrar no box não há como vc não dar um espetáculo para os voyeurs dos prédios em frente. Super revolts, resolvi procurar uma solução pra tampar a janela maldita. A solução que encontrei foi um tapete de box com ventosas que estava guardado no armário do banheiro. Chapei o tapete no vidro e pressionei as ventosas pro tapete grudar. Deu certo. O ape é um duplex, onde o quarto fica no segundo andar. Uma parede do quarto é aberta, formando um mezanino, que fica meio de lado para um janelao que vai do chao do primeiro piso até o teto do segundo. Esse vão é protegido por um guarda corpo vazado, de forma que outro ponto devassado é que se a gente ficar pelado do lado de fora na porta do banheiro, seria um espetáculo digno de cobrar ingresso. Do prédio do lado dá pra ver tudo. A solução que encontrei foi jogar um edredon no guarda corpo. Vou colocar as fotos depois pra vcs verem, pq estou escrevendo do meu iPhone e não tenho como por foto aqui usando ele.
Eu já estava com dor de cabeça, talvez de fome, e uma azia fervilhante do café xoxo do avião. O pão estava tão duro, que se eu tacasse ele na janela do avião iria abrir um buraco. Desovamos a bagagem no ape e tive que trocar de bolsa. Maridón não deixou eu ir pra rua com minha Louis Vuitton com medo de chamar atenção. Até tentei argumentar, dizendo que o que mais tem por aí são Louis Vuittons falsas, e que olhando pra minha vestimenta não perua iriam acabar achando que era uma LV fake tb. Não colou. Tive que pegar uma bolsa de nylon da Kipling, que uso como bagagem de mão e usar como bolsa. Como vcs devem já ter visto nas manchetes, anda rolando uns estresses entre os estudantes e a polícia. Por conta dessa revolución estudantil, a cidade tem policiais em cada esquina, praticamente. Apesar do medinho que o rapaz do apartamento nos colocou em relação a assaltos nas ruas, me senti relativamente segura com tantos carabineros, como são chamados aqui, e seus “cachorrinhos” uniformizados (preciso tirar uma foto disso). Bem, fomos catar uma casa de câmbio, porque não tínhamos um tostão chileno. A moeda aqui é como nos tempos do cruzeiro no Brasil. Um real equivale a 258 pesos, de forma que qualquer coisa que custe mais de quatro reais já passa a ter mais de 1000 pesos. E foi essa confusão monetária que quase enfartou maridón. Com graninha trocada, fomos ao tão famoso mercado central para comer frutos do mar. Chegamos lá, maridón foi seduzido pela centolla, que é um caranguejo gigante famosíssimo (e caríssimo) que só se encontra no Chile e no Alasca. Como estávamos roxos de fome, quase comendo os guardanapos, pedimos uma entrada de frutos do mar mistos, com diversos mariscos da região, além de camarão e lula. E pra atiçar Fifi, o garçom covardemente me ofereceu o vinho que eu mais amo na face da terra: Amayna. Cakay toneladas, já que esse vinho no Brasil custa 150 reais e aqui foi 78. Antes mesmo de terminar com os mariscos, chegou a centolla (cuja foto entrará mais tarde). Eles quebram o caranguejo todinho e tiram toda a carne pra você, de forma que ninguém pode deixar de comer o bixim por preguiça de quebrar o dito cujo. É uma carne meio adocicada, que a gente mergulha num molho com orégano e alho. É gostoso o monstrinho, mas depois que chegou a conta de pouco mais de 500 reais, chegamos à conclusão de que essa foi a única vez na vida em que comemos centolla. Esse almoço conseguiu ser mais caro do que a lagosta do Maine que eu tive vontade de comer lá em São Francisco, que custava 180 dólares, e que eu não comi por esse motivo. Bem, o consolo é que, além de termos comido como dois glutões, o maridón disse que o almoço de ouro foi pelo meu niver de ontem.
No retorno “pra casa”, entrei numa farmacinha, sob protesto do maridón, com a desculpa de comprar carefree (que eu realmente precisava). No pouquíssimo tempo que fiquei lá consegui achar Essie a 12 reais, e uns esmaltes de marcas desconhecidas, que eu não pude examinar a fundo por causa do xilicón que o marido provavelmente já estava tendo la fora. Vou aproveitar que ele não está podendo andar muito, por causa do joelho bichado que já se manifestou logo no primeiro dia de viagem, e vou sair sozinha depois pra garimpar mais. Tem farmácia pra todo lado aqui. O povo de Santiago deve ser hipocondríaco. Mandarei um relatório completo depois.
Chegando no ape, parecendo uma sucuri após comer um bezerro, tomei um banho NÃO DEVASSADO e caí na cama como um urso no inverno, pronto para hibernar. Apagay! Acordei com o telefone tocando. Foi quando, então, consegui finalmente escrever esse capítulo da novela chilena. Ahhhh por falar em novela, vocês precisam ver como é hilário ver a Mariana Ximenes dublada para espanhol numa novela brasileira que passa aqui. Nem vi qual era! Gargalhay!
Bem, são 22:16 e eu provavelmente voltarei pra minha hibernação. Comer hoje de novo, nem pensar! Ainda estou parecendo aquela sucuri…
Ninas, grandes beijos pra vocês. Amanhã conto mais sobre meu segundo dia em Santiago.
=*** Adri

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Sobre Adri Portas

Tradutora, Blogueira e Filósofa (da vida)
Esta entrada foi publicada em Viagem. ligação permanente.

4 respostas a Chile dia 1

  1. Malu diz:

    Oi, Adri!

    Q bom q vc está se divertindo!
    E ainda encontrou um tempo pra escrever pra gente…. (q amor!)

    Qdo for as compras ñ se esqueça da Lush ( http://www.lush.cl ) dizem q as coisas deles super valem a pena! Tem pelo menos 4 lojas em Santiago.

    A Lemony Flutter deles tá na minha wishlist da próxima viagem, rs!

    Bjs e divirta-se!

    • Oi Malu! Eu conheço a Lush de outras viagens, mas confesso que meu coração nao bate forte por essa loja. Da ultima vez que comprei sais de banho nela, criou tanta espuma que transbordou e encheu o banheiro de espuma. Acho que eu ficay traumatizada, Rsrsrsrsrs

  2. Huhuhuhaaaaaa!!!!!! Adorei!!!!!! Sua redação é fantástica!!!!! Com relação ao banheiro vc deu azar mesmo, pois no ape que fiquei, o banheiro nem tinha janela (mas tinha exaustor… ainda bem!!!!!!!!!). Com relação a conta do restaurante, realmente super caro, mas o motivo era nobre…. O SEU NIVER…… e aí miga, vc merece isso e muito mais!!!!!!
    Quando sair do ape em direção ao centro no calçadão, tem, do lado direito da rua uma loja só de coisas de salão, inclusive esmaltes… lá é um dos poucos lugares que vi OPI….. não deixe de dar uma parada por lá!!!!! Bjus e aproveita!!!!!!! E nos mantenha informadas!!!!!!!

  3. Deise diz:

    Ri muito! hahahahahaaaa Imaginei o show do banho, a comilança e o xilicón do marido! Viagens internacionais são ótimas maneiras de micar sem muito stress! Quando fui a Buenos Aires, passei pelo mesmo trauma de ver uma atriz dublada, mas no meu caso foi a Ana Paula Arósio. Era o comercial da tintura de cabelo da Avon, e a voz em espanhol era super aguda e cantante, bem diferente da voz grave da moça! Foi um choque! Estou esperando pelas fotos, hein? A curiosidade é grande, mas também espero que a viagem seja ótima, e os lugares da volta sejam melhores! Beijão, guriazinha!

Obrigada pela visita e pelo seu comentário!!! <3

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