O post de hoje não tem nada a ver com esmaltes. Na verdade, ele foi originado por causa dos esmaltes; dos que eu trouxe na minha mala de viagem…
Eu estava aqui trabalhando e pensando. A vida da gente é curtinha. Parece que foi ontem que eu era uma menina, e que gostava de brincar de brincadeiras de menino. Soltava pipa na rua, jogava bolinha de gude, brincava de carniça, polícia x ladrão, pique-bandeira, esconde-esconde, taco… Seriam atitudes “suspeitas” nos dias de hoje, mas eu nunca fui sapatão, viu? É que eu tenho um irmão que tinha muitos amigOs, e eu praticamente não tinha amigas, porque sempre fui muito na minha (reservada) e as meninas não gostavam muito de mim. Me achavam besta, sei lá. Então, eu brincava com os meninos mesmo. Meu pai na época trabalhava em uma empresa que enlatava tinta em spray, e aquele barulhinho que você escuta quando sacode uma latinha de tinta em spray é uma bolinha de gude que tem dentro. Meu pai levava sacos e mais sacos de bolinhas de gude pra casa, e eu ficava louca. Por isso gostava muito de brincar com os meninos, porque bolinha de gude só menino jogava. Na verdade eu tinha meio fama de Mônica. Só faltava o Sansão, o coelhinho azul. Eu dava porrada nos meninos todos. Eles se borravam de medo de mim. Eu sempre fui muito dona do meu nariz e sempre fui muito mandona determinada. Eu me machucava à bessa e eu mesma fazia meus curativos. Vivia com os joelhos ralados. E uma coisa que me marcou muito nos meus, sei lá, 7 anos, foi o fato de ter agarrado um menino e jogado ele em baixo de uma lona que estava estendida no gramado da minha casa. Dei um monte de beijo no menino (no rosto), disse que era apaixonada por ele, e ele ficou traumatizado; e eu idem…rsrsrsrsr. Nunca mais eu vi o guri. Velhos tempos…
Ontem, ao voltar pra casa com minha mãe e meu irmão, eles dois comentavam como o tempo passou rápido. Meu irmão hoje tem 47 anos e minha mãe não consegue se conformar com seus 70 anos. Ela diz que na cabeça dela ela ainda tem 20 anos. E eu vou chegar aos 70 também, e pensando a mesmíssima coisa. Não me sinto com 44 anos. Os amigos da Gabi até comentam que eu pareço mais irmã mais velha dela do que mãe, não porque eu tenha uma aparência jovem, mas porque eu falo muita besteira e todo mundo ri muito das besteiras que eu falo; chamo Gabi de galinha e tudo mais. Mas eu “chamo ela” de galinha com muito respeito, e ela sabe disso. Ela nem namorado tem pra eu usar essa palavra em outro sentido…
Meu pai morreu tem 5 anos, de AVC dentro de um ônibus no Rio de Janeiro, enquanto (vejam que ironia), voltava do hospital da aeronáutica na Ilha do Governador. Foi um choque muito grande pra mim, saber que ele foi embora e eu não disse que eu amava muito ele. Ele faz falta apesar das nossas constantes brigas que tínhamos. Eu vivo pensando que minha hora de ir embora também pode ser a qualquer minuto. Por isso eu acho que a gente tem mesmo que aproveitar muito a vida, e não ter medo ou se “travar” para dizer pras pessoas que as ama, porque se não disser você pode se arrepender se a pessoa morrer antes de você e você não ter dito isso a ela. Foi o que aconteceu comigo quando meu pai morreu. Eu chorei muito, mas grande parte da minha dor foi devido ao arrependimento de não ter dito muito que o amava. A gente brigava muito, mas eu o amava, de todo o meu coração. Acho que ele adoraria ter ouvido isso. E ele deixou um vazio imenso, que nunca foi preenchido. Por isso eu aperto, amasso, abraço, beijo e esmago minha Gabi muito, e sempre digo que a amo e que ela é minha “galinha” preferida, porque não sei quando eu vou embora. Somos muito amigas e eu quero que ela faça o mesmo com os filhos que tiver.
A vida que tenho hoje, agradeço muito a Deus, porque nada do que sou hoje eu sonhei ser. Eu queria ser veterinária e acabei virando tradutora; nada a ver. A vida da gente dá mesmo muita volta, e nós nunca sabemos o que está reservado pra nós. Hoje, os únicos bichos de que cuido são meu papagaio, meus porquinhos, meu marido (que eu chamo de cachorrão) e Gabi (minha galinha), rsrsrsrsrsrs
Eu às vezes penso como cheguei onde cheguei. Eu era uma telefonistazinha em uma agência de publicidade de terceira que estava às portas da falência. Antes tinha sido atendente de banco (abria conta corrente de clientes). Mas estudei inglês e aprendi a amar essa língua. Quando perdi meu emprego de telefonista fui procurar emprego. Na agência de empregos, a mulher que me atendeu disse que não tinha nenhuma vaga de telefonista ou recepcionista, mas tinha de secretária. E eu ri disso. Eu falei pra ela: “Mas eu nunca fui secretária, como é que alguém vai dar emprego de secretária pra quem não tem um pingo de experiência?” E a mulher me falou: “Você tem inglês bom? Você acredita que você consegue aprender rápido e se tornar uma secretária? (eu disse que sim) Então, por que não tentar? O máximo que vai acontecer é você ouvir um não.” Pra encurtar a estória, eu consegui essa vaga, numa empresa de exportação de aço, tendo competido com mulheres super experientes (pelo menos 3 anos em empresas multinacionais) e com até duas faculdades. Eu nem isso tinha. Sendo secretária, meu chefe me pedia pra traduzir as cartas dele pra mandar pros clientes no exterior. Mudei de emprego e as traduções continuaram, até que elas se tornaram tão frequentes que eu nem tinha mais tempo pra minha filha, pois chegava do trabalho e ia trabalhar mais traduzindo. Então larguei o emprego, abri minha própria empresa de tradução e hoje nem respiro, mas trabalho em casa e estou sempre com minha Gabizinha. E assim, me tornei a tradutora que sou hoje, ganhando no mínimo 7 vezes mais o salário que recebia sendo secretária. E tudo isso me fez pensar que SE ACREDITAMOS E CONFIAMOS EM NÓS, NÓS CONSEGUIMOS O QUE QUEREMOS. Não podemos é ter medo de ouvir um não. Precisamos ter determinação e perseverança. Autoconfiança é tudo na nossa vida, e não nos damos conta disso.
Eu não tenho muitos amigos. Aliás, posso contar nos dedos de UMA mão quantos eu tenho. Eu nem tenho tempo pra ter tantos amigos, pois meu trabalho me consome demais. E eu só dedico um tempo para o blog porque é algo que realmente me gratifica e deixa feliz. O meu trabalho é muito sacrificante, e é por isso que eu me presenteio com minhas viagens e compras, porque nunca sei se estarei viva amanhã. Gabi é que é sortuda, porque se eu morrer vai herdar um monte de coisas “supérfluas”, maneiras e caras. Eu sou exigente sim, e me permito fazer umas orginas monetárias às vezes, como a bolsa que eu comprei.
Eu hoje considero que as únicas amigas que tenho são minha filha e vocês, que não conheço. Com vocês não me sinto só, mesmo só “falando” para vocês e não “lendo” vocês. Por isso gosto tanto quando vocês fazem algum comentário no blog. Eu sinto um calor humano maravilhoso e me dá mais vontade de continuar a escrever. Sinto até quase como se fosse uma família.
A gastança que fiz nessa viagem me fez pensar sobre tudo isso hoje. Eu realmente nem sei onde quero chegar com essa conversa toda, mas a única coisa que posso dizer é que eu realmente sou muito feliz com vocês, minhas amigas virtuais desconhecidas!
Minha vontade mesmo era organizar uma viagem pra gente ir juntas. Eu amaria poder levar algumas de vocês comigo pra Nova York, e levar vocês em todos os lugares legais que conheci, e todas as lojas que me deixaram louca. Seria tudo de bom na minha vida corrida. Como eu não sou milionária, consolo-me com o simples sonho de deixar vocês felizes, fazendo vocês rirem com as besteiras que eu falo (naturalmente) e sorteando uns presentinhos, o que me deixa muito feliz, também.
Continuem me fazendo companhia silenciosa se preferirem, mas se quiserem ou tiverem vontade de falar, falem, pois vão me deixar muito feliz.
Tenham um ótimo dia, minhas amigas. Que Deus esteja com todas vocês e as abençoe grandemente, assim como Ele tem feito comigo!
Adri

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