Um Dia em Paraty

Olá pessoal!

Ontem acordamos cedo com minha mãe me ligando, porque estava chegando ao apê da Gabi, no Rio. Ela iria conosco para Paraty, a próxima viagem programada que fizemos. Arrumei tudo rapidamente e saímos às 8 da manhã. Estava com medo de pegar trânsito, porque a essa hora tem gente ainda indo da Zona Sul para o centro do Rio, para trabalhar. Mas até que não foi muito tumultuado não.

Foram 4 horas de viagem, que achei que iriam ser bem mais penosas. São 258 km desde o Rio de Janeiro, mas a viagem é demorada porque é uma estrada com muitas e muitas curvas (a famosa Estrada de Santos da música do Roberto Carlos) e muitos radares de velocidade, que variavam entre 40 e 60 km por hora. Não fosse isso, penso que em cerca 3 horas teríamos chegado. A sorte é que uso o aplicativo para celular Waze para me alertar sobre os radares, e assim posso ficar mais tranquila de não passar por nenhum radar desavisada.

Tendo saído às 8, chegamos pouco mais de meio-dia. Estacionamos no estacionamento da pousada, que fica a duas quadras dela, e ligamos para o hotel para avisarmos que havíamos chegado. Eles enviaram um rapaz para ajudar com as bagagens, e logo estávamos na Pousada do Sandi, que fica no coração do centro histórico da cidade de Paraty, no Largo do Rosário.

Paraty fica localizada próxima a Angra dos Reis, da qual se tornou independente em 1670, vindo a se chamar Vila de Nossa Senhora dos Remédios de Paraty, que é o nome da igreja em torno da qual a cidade foi fundada, cuja santa é a padroeira da cidade. Ela fica próxima ao mar e entre dois rios, e por isso, foi o mais importante porto exportador de ouro e pedras preciosas do braseeeel para Portugal, no período colonial. Como é uma cidade de pouca altitude, Paraty tem muitas de suas ruas frequentemente inundadas pela maré.

Foto que tirei em 2008

Foto que tirei em 2008

No ciclo do Ouro, nos séculos XVII e XVIII, escravos construíram a Estrada Real, que passou a ligar o Rio de Janeiro diretamente às Minas Gerais, o ouro e as pedras preciosas lá produzidos não precisaram mais passar por Paraty, que, outrora entreposto comercial, acabou ficando isolada economicamente.

A Estrada Real, que tem 1600 km de extensão, passa por 87 cidades e distritos – 76 em Minas Gerais, 3 em São Paulo e 8 no Rio de Janeiro, e hoje é um roteiro turístico que inclui cachoeiras, pousadas, artesanato, alambiques, agroturismo e restaurantes. Somente com guias autorizados se pode percorrer o caminho, pois ele passa por diversas propriedades particulares.

Com o passar do tempo, as antigas rotas de escoamento de ouro e pedras preciosas passou a ser usada para tráfico de escravos e para escoar a produção cafeeira no Ciclo do Café. Em 1864, com a construção da ferrovia em Barra do Piraí, a produção passou a ser escoada por ela, e Paraty, mais uma vez, entrou em declínio econômico.

Quase 100 anos depois, a cidade foi “redescoberta”. Em 1958, a cidade foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, e acabou virando pólo turístico, em 1973, com a abertura da estrada Rio-Santos (BR-101). 

A região de Paraty chegou a ter mais de 250 engenhos de cana de açúcar, que tornaram a cidade famosa pela produção de aguardente. Hoje, Paraty é sinônimo de cachaça artesanal, e todos os anos, desde 1982, a cidade reúne milhares de pessoas no Festival da Cachaça, que é um dos eventos mais tradicionais da cidade, realizado no mês de agosto.

E tendo dado essa prévia da cidade, retomo meu post de viagem..

Passava de meio-dia, e fizemos o check-in no hotel antes da hora (o horário normal é às 14 horas), mas por sorte nosso quartoFerramentas já estava esperando por nós.

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Pousada do Sandi, Largo do Rosário

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Nosso quarto

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Nosso quarto

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Diferentes tipos de cachacinhas, no frigobar do quarto

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Sala de TV na entrada para nosso quarto (de uso comum dos hóspedes)

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Salão de estar, na entrada da pousada

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Saguão

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Bar

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Poltronas no saguão, e entrada do salão de jogos ao fundo, que é também o salão de café da manhã

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Salão de Jogos / Salão de Café da Manhã

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Salão de jogos / Salão de Café da Manhã

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Bar

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Jardim, com antiga piscina (ao fundo), que foi aterrada e transformada em gramado

Deixamos nossas tralhas no quarto e fomos catar um canto para almoçar. Na verdade, a fome era tanta, que resolvemos comer no restaurante do hotel mesmo, o Pippo, que é também frequentado por não hóspedes, tendo duas entradas, uma pela rua, e outra pelos fundos, destinada à entrada de hóspedes.

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Entrada para o Pippo, destinada aos hóspedes – no fundo do restaurante

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Minha linda Gabi, esperando o almoço, roxa de fome

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Nossa mesa

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Entrada pela rua, para não hóspedes

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Meu prato: uma massa feita com rúcula, com molho de siri e camarões

E devidamente almoçadas, fomos dar uma volta pelas redondezas, para Gabi conhecer.

Adoro Paraty, tão histórica, com sua arquitetura tipicamente Portuguesa, e ruas de pedras pé-de-moleque, tão difíceis de caminhar. Como carros não são permitidos dentro do centro histórico, temos mais ainda a sensação de termos caído ali pelo túnel do tempo.

As fachadas das casas do centro histórico permanecem inalteradas, devido ao tombamento, e estranhos desenhos geométricos nas fachadas em boa parte das construções demonstram a grande influência maçônica na cidade.

Desenhos típicos da maçonaria

Desenhos típicos da maçonaria

Urbanizada por maçons, no século XVIII, as portas e janelas da maioria das casas de Paraty eram pintadas em branco e azul-hortência,  que eram as cores que simbolizavam a Maçonaria, da mesma forma que é em Óbidos, Portugal, que é uma cidade maçônica.

Eu simplesmente AMO essas casinhas, e amaria de montão morar em uma assim!

Todas as ruas ainda estavam enfeitadas com bandeirinhas, por causa da FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty), na semana passada .

Paraty22 Paraty23 Paraty24 Paraty29 Paraty30A grande maioria das casas é ponto comercial, pousada ou restaurante. Há muitas casas que ainda são residenciais, e devido à antiguidade da construção, devem dar MUITO trabalho de manter, pois as instalações hidráulicas e elétricas são muito antigas. Em várias ruas vi homens escavando as pedras das ruas e mexendo nas tubulações de esgoto. Muitos telhados estão em estado muito precário, e inclusive, a pousada em que fiquei em 2008 já não tem mais o segundo pavimento, onde ficava o quarto onde dormi. Só se vê vestígios dos tijolos do segundo pavimento, que não foram retirados da parede da casa ao lado.

Caminhar com minha mãe, que tem 74 anos, foi bem complicado. Pra gente nova já é difícil, imagina pra um idoso. As pedras são bem irregulares, e se você der mole, tropeça e cai como uma jaca podre. Não bastasse isso, há muitas pedras lisas, que são um prato cheio para escorregar, se estiver usando aquela rasteirinha de solado de couro. Temos que caminhar pelas pedras a passos de cágado tetraplégico, completamente sem pressa! 

Várias lojas estavam fechadas e acabei descobrindo que alguns restaurantes e lojas não abrem às terças-feiras, que foi justamente o fatídico dia que escolhi para ir para Paraty, afffff! Se soubesse disso antes teria escolhido outro dia da semana. Agora, a Inêz é morta!

Há diversas lojas de artesanato e cachaça no centro histórico, e entrar numa loja de cachaça, para quem gosta de pinga, deve ser o paraíso. Eu, que não gosto de cachaça, fiquei encantada e surpresa com a diversidade do produto!

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Fomos caminhando até o Largo de Santa Rita, onte as ruas que costumam alagar, mas a maré estava baixa, e as pedras das ruas secas.

Fomos também até a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, no Largo da Matriz, onde sentamos num banquinho e ficamos vendo o movimento de turistas, que, embora menos intenso, não acaba nunca.

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Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, Largo da Matriz

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Sentadas no banquinho da Igreja, vendo o fraco movimento dos bares e restaurantes locais

Num entra e sai das poucas lojas que estavam abertas, encerramos a caminhada na sorveteria Finlândês, onde comi um delicioso sorvete de banana caramelada.

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Painel em madeira, na sorveteria Finlândês

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Sorvete de banana caramelada

E voltamos para a pousada, porque minha mãe estava cansada. Tomei um banho e deitei, na esperança de tirar um cochilo, já que eu tinha dormido somente 6 horas na noite anterior, mas não consegui dormir. Uns 50 minutos depois, eu já estava de pé me arrumando pra sair de novo com Gabi. Minha mãe não quis ir, pois ainda estava cansada, e nos pediu que comprássemos um sanduíche para ela jantar.

Paraty é um lugar bom para quem gosta de mar e de pegar sol. O turismo gira muito em torno do mar, com passeios de barcos e tals. Essa não é minha praia, então, a única coisa que me resta fazer lá é só mesmo curtir o visual do centro histórico, tirar fotos, comer e comprar. Por esse motivo, resolvi ficar somente uma noite mesmo na cidade, pois sabia que não teria muito o que fazer. Um dia seria suficiente para Gabi conhecer a cidade.

Na hora em que saímos passava das 18 horas, e já estava noite.

Passamos por um restaurante (Margarida) que tinha um clima bem aconchegante, com meia-luz e decoração rústica (excluindo daí somente a TV de trocentas polegadas que exibia o canal de esporte (para estragar o clima zen)). Na porta do restaurante, um pequeno quadro negro mostrava le plat du jour, que era peixe grelhado ao molho de limão siciliano, com risoto de nozes e passas. Fiquei bem empolgada com o prato, e Gabi quis entrar para olhar o cardápio, que me arrancou muita gargalhada com a tradução de CARNES E AVES como MEATS AND BIRDS, rsrsrsrsrsrsrs (Bird, em inglês, se usa somente para pássaros – para AVES comestíveis, seria POULTRY).

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Gabi folheando o cardápio do Margarida

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O prato do dia foi justamente o que pedimos, sendo que Gabi quis carne ao invés de peixe.

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Peixe ao molho de limão siciliano com risoto de nozes e passas, do Margarida

O prato estava bem gostoso, mas nada por que valesse a pena voltar, principalmente depois de ter pedido para trocar o copo duas vezes, por estarem sujos (um de batom e outro de gordura). 

Logo, um cantor passou a mão no seu violão e começou a cantar, e não demorou muito para o restaurante começar a encher. E antes que tivéssemos que pagar o couvert artístico, caímos fora.

 Muitas lojas que estavam fechadas mais cedo abriram, e assim ficamos em mais um entra e sai de lojas, e pude comprar algumas coisas de que gostei (uma namoradeira média, já que Troy quebrou a grande de resina que eu tinha, doce de leite Viçosa, café, uma manta para o sofá da Gabi, um conjunto de passadeira para minha cozinha e um Divino Espírito Santo para a porta da minha casa).

Divino Espírito Santo

Divino Espírito Santo

Depois de andar bastante, resolvemos comprar o sanduíche da minha mãe e voltarmos para o hotel para dormir. Eu estava bastante cansada, e viajaríamos depois do café da manhã no dia seguinte. Dormi como um bebê…

Pra variar, fui a primeira a acordar, às 7 da manhã. Gabi e minha mãe ainda dormiam, e o quarto estava um verdadeiro breu, com as janelas fechadas. Naveguei um pouco na internet e  depois de quase uma hora, resolvi trocar de roupa e sair para dar um rolé.

Saí da pousada e fui para a rua, onde um gari vinha puxando a lixeira de rodinhas pelas pedras pé-de-moleque, o que fazia um baita barulhão, enquanto catava o lixo do turismo das ruas. Poucos tinham a “educação europeia” de trocar BOM DIA comigo. Muitos passavam por mim como se eu não estivesse ali, e confesso que fiquei um pouco decepcionada com isso, pois bem sei que em várias cidadezinhas de interior do país ainda se dá bom dia até para os cachorros de rua. Mas OK, estamos no braseeel, então há de se esperar que o povo esteja desaprendendo os bons costumes.

Logo voltei para dentro e fui levantar a galera pra gente tomar café. Meu estômago já reclamava. Arrumei as malas, enquanto as outras duas levantavam. E uns 40 minutos depois, estávamos nos sentando para tomar um café que pareceu bem magro, em contraste com o ryco e abastado café do Llao Llao. Pegamos nossas tralhas e partimos de volta para casa, em mais 4 horas de viagem.

Então foi assim meu dia em Paraty. Para quem não conhece, vale muito a visita. O ideal mesmo é fazer como eu fiz, baixa temporada, dia de semana e fora de feriadões ou festivais. Paraty, como qualquer outro lugar, fica insuportável com multidões nas ruas. Vale ao menos conhecer e tirar lindas fotos.

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Então é isso, meninas! Foi uma viagem curtinha, mas que valeu a pena. Beijos em todas, e até a próxima!

Adri 😀

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Sobre Adri Portas

Tradutora, Blogueira e Filósofa (da vida)
Esta entrada foi publicada em Viagem. ligação permanente.

4 respostas a Um Dia em Paraty

  1. daisygaray diz:

    Que lindo passeio! Paraty é uma cidade linda, gostaria de conhecer. Quanto aos BIRDS do cardápio, se fosse nas cidades de colonização italiana, como muitas daqui, é bem normal comer passarinho com polenta. Minha mãe tem trauma, porque em uma das vezes que esteve grávida, uma vizinha lhe deu uma polenta com um passarinho espetado! Mamis quase morreu chorando de pena do bichinho, e não comeu nada! hahahaha
    Beijos

  2. diaddicas diz:

    Haaaain Paraty é demaaaaais!
    Muitos amores por esse lugar! *_*
    Post ótimo esse flor, bjokaaaaa

Obrigada pela visita e pelo seu comentário!!! <3

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